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19
set
11

Resenha do álbum “Neighborhoods”

Blink-182 está de volta com disco novo

“Neighborhoods” é o resultado de dois momentos da banda

“Blink-182 is back”. Essa frase é icônica, poderosa e muito feliz. O novo disco “Neighborhoods” já não é icônico, não é nada poderoso e é feliz em partes. É impossível analisar o novo trabalho do trio sem fazer comparações com o último disco (Blink-182 – Blink182) e tudo o que rolou nesse meio tempo: o guitarrista Tom com a “tentativa indie” no Angels and Airwaves (AVA), o baixista Mark e o baterista Travis na excelente continuação do punk californiano com o +44 e as apostas solos de Travis na união da “bateria e do hip hop”.

A capa de “Neighborhoods” é totalmente metropolitana, mas nada lembra os álbuns anteriores. Começando com “Ghost on the dance floor”, Travis Barker sempre excelente na bateria e Tom fazendo analogias à sua personalidade, ou seja, AVA.

Em alguns momentos, a voz nasalada de Tom Delonge soa bastante enjoativa e, em outros momentos, soa bastante certeira. O disco passeia bastante pelo punk californiano, marca registrada do grupo, e também tem seus momentos nonsense através da boa utilização dos sintetizadores.

Quando o trio lançou “Up all night” como single, a música não fez sentido. É boa e apenas isso. Mas ela se completa totalmente com a anterior “Natives” que lembra os discos antigos do Blink-182.

“Neighborhoods” é o pastiche (entenda colcha de retalhos) de dois momentos: é a sucessão natural de “Blink-182 – Blink182” e as influências não muito bem encaradas do AVA.

Andando na contramão da introdução escrita, “Neighborhoods” é feliz em algumas letras, embora insira continuamente algumas passagens sombrias no disco, mas é a certeza de que o trio está feliz com a reunião. Não é nada poderoso, pois não apresenta nenhum clímax – talvez as músicas finais do disco sejam as melhores. Dessa forma, não entrega, de modo algum, um trabalho icônico como sempre fizeram anteriormente. Mas é a certeza de que a cor cinza combinou com a capa.

@misaelmainetti

29
mar
11

Rock In Rio, SWU, nossos bolsos e a realidade verde e amarela

“Nunca há bons shows no Brasil!”. Muita gente sempre disse isso. Pois bem, depois do Lula, a maioria aceite ou não, o Brasil foi mudando. Ou, ao menos, a imagem do país foi se alterando no cenário mundial. Parcelamento em 80 vezes não é uma mudança também tão significativa assim, apenas dá a chance das classes C e D comprarem seus bens materiais de uma forma mais “cara” e “acessível”, mas eu divago. Isso é assunto para outro post.

Esse ano, fomos presenteados com shows para todos os gostos e desgostos, assim como eu escrevi em outra publicação. De Shakira a Iron Maiden, de Paramore a LCD Soundsystem, de 30 Seconds to Mars a U2 e Muse que estão vindo por aí. São vários shows custando preços um tanto salgados, mas eu também divago sobre isso porque ainda não é o objetivo desse post.

O U2 vem ao Brasil com a turnê 360º e a abertura dos britânicos do Muse


Rock In Rio, SWU e os nossos bolsos

No mês de fevereiro desse ano, a coluna do jornalista Lauro Jardim, no site da revista Veja, publicou um texto sobre o encontro dos idealizadores dos festivais Rock In Rio e Starts With You (SWU).  Segundo a coluna, Roberto Medina (Rock In Rio) e Eduardo Fischer (SWU) encontraram-se e entraram em acordo sobre as datas dos festivais. Também concordaram em não realizar um leilão de bandas, ou seja, disputar as atrações para seus festivais.

O Rock In Rio acontecerá no fim de setembro / início de outubro, enquanto o SWU será realizado esse ano no mês de novembro.

Mesmo assim, pergunto-me: como ficam nossos bolsos? Esses festivais não contam somente com a classe A e B, mas contam também com as classes C, D e E. Se não fosse assim, não parcelariam os ingressos em X vezes. Tanto Medina quanto Fischer são dois empresários de ponta. Medina está no ramo com o Rock In Rio em outros países há anos e tem uma bagagem inquestionável, assim como sua filha, Roberta Medina, que também assumiu a direção do festival. Eduardo Fischer criou o SWU ano passado e foi feliz em fazê-lo – mesmo com todos os problemas iniciais que um festival corre o risco de ter.

Mas como ficam os bolsos dos brasileiros. Quem ganha um salário mínimo vai conseguir parcelar ingressos e condução para ir ao Rock In Rio e, no mês seguinte, já comparecer ao SWU? Não. É fato que não. Nessa “orla” perigosa de dinheiro, me arrisco a dizer, ou a escrever, que o SWU corre o sério risco de fracassar em público. Ou apenas a classe A irá comparecer ao festival em Itu?

Segundo um amigo, já estão esgotadas várias passagens de avião para o Rio de Janeiro. Rock In Rio, pelo visto, vai bombar! É como deve ser. Mas há a necessidade de valorizar o SWU, afinal, ele trouxe uma nova perspectiva de festival no ano passado. Só para refrescar, Rage Against The Machine, Queens Of The Stone Age, Linkin Park, Joss Stone, Avenged Sevenfold; só para citar esses.

Supondo que você goste da atração de ambos os festivais, quero questionar: se você for ao Rock In Rio no fim de setembro, início de outubro; irá ao SWU em novembro também? Se não quiser justificar o motivo, apenas deixe o seu “sim” ou “não”.

Não basta publicidade para os festivais. Basta um pouco, ou muito, na verdade, da realidade verde e amarela a ser considerada.

@misaelmainetti

14
fev
11

Grammy Awards 2011 – Do mainstream ao alternativo

No último domingo, 13, aconteceu a maior premiação da indústria fonográfica, o Grammy Awards 2011, em sua 53ª edição, realizada no Staples Center, em Los Angeles, na Califórnia.

Os destaques em premiação da noite foram os alterna-indies do Arcade Fire e o trio country Lady Antebellum que, por trabalho árduo e reconhecimento, levaram alguns gramofones da noite.

Lady Antebellum e seus cinco prêmios Grammy

O grupo Lady Antebellum levou cinco prêmios para casa

 

Canção do ano / Gravação do ano / Melhor álbum country

Vencendo o refrão denso de Love the way you lie, parceria “Eminem – Rihanna”, o trio Lady Antebellum levou os três troféus. Tudo graças ao (grande) hit Need you now. Trabalho esforçado, reconhecimento merecido. Também fez parte das apresentações e foram, mais uma vez, merecidamente aplaudidos.

O country music tem retido novamente a atenção dos rádios, consequentemente do público, bem como da crítica que tem reconhecido que esse estilo, que outrora pertenceu ao supremo do mainstream, está voltando com tudo – mesmo que estilizado sobre a influência do pop. Diga-se “não de passagem” que, daqui para frente, teremos muito, mas muitos artistas nessa linha.

Melhor álbum de rap / Melhor performance de rap

O Slim Shady Eminem, que voltou às paradas da música após lançar os álbuns Relapse e o último Recovery, foi devidamente aplaudido. Após retornar ao sucesso com músicas mais “conscientes” – mas ainda ironizando -, perder seu melhor amigo para a morte, divorciar-se novamente da (ex) esposa e se recuperar do uso de drogas; Eminem merece reconhecimento.

Eminem e Rihanna apresentaram o grande hit Love the way you lie

O rapper, que liderava com 10 indicações, levou apenas duas: Melhor álbum de rap e Melhor perfomance de rap. Isso não tirou o seu prestigio. Em um dos momentos mais aclamados e aplaudidos do Grammy, Eminem surgiu com Rihanna e Adam Levine do Maroon5. Juntos, cantaram Love the way you lie – refrão impossível de não cantar. Depois do hit, Eminem se juntou ao seu “descobridor” Dr. Dre e à Skylar Grey e apresentaram juntos a nova música de Dre, I need a doctor. Que Eminem continue triunfando no rap – e que Jay-Z, como sempre muito bem faz, também.

Falando em rap, Drake e Rihanna subiram ao palco para fazer a performance de What’s my name em um cenário repleto de fogo. Rihanna, dessa vez, não desafinou nem em Love the way you lie, que tem tons bem agudos, e muito menos em What’s my name.

Rihanna e Drake apresentaram What’s my name em meio ao fogo

 

Caso tupiniquim

Sergio Mendes e Bebel Gilberto, que concorriam ao melhor álbum de world music (ela por All in One e ele por Bom Tempo) não levaram os gramofones. Béla Fleck com Throw Down Your Heart , Africa Sessions Part 2: Unreleased Tracks ganhou. Como a manchete da matéria enfatizou, fica a dica do alternativo ao mainstream.

Revelação

Vale enfatizar que, dessa vez, a Revelação fez jus ao nome. Justin Bieber triunfou em todas as cerimônias durante o ano nessa categoria, menos na mais importante premiação: o Grammy. O prêmio também não foi para Florence + the Machine, que é uma das grandes revelações de 2010 e deve ser lembrada pelo excelente hit Dog days are over. A baixista de jazz e cantora Esperanza Spalding levou o prêmio, o que surpreendeu a todos.

Esperanza Spalding fez jus ao nome da categoria: Revelação

Justin aproveitou a noite. Um vídeo dele aos 13 anos com Usher, no processo de “descobrimento”, foi apresentado. Logo, ele fez uma “rapidinha acústica” de Baby, seu maior hit. Após o cenário ser invadido por ninjas, ele cantou Never say never, tema do remake de The Karate Kid. Jaden Smith, filho de Will Smith, apropósito “felizão” junto da esposa na plateia, cantou junto de Justin.

Jaden e Justin no Grammy 2011

Canonizado como ídolo teen pop comercial, não deve-se desmerecer o bom rendimento de Justin Bieber. Canta bem ao vivo e dança bem. Engana-se quem diz que Justin será o próximo Timberlake. Naturalmente, o garoto dança igual ao seu mentor Usher – danças “manjadas” e previsíveis, mas que são excelentes. Bieber pecou, talvez, em não cantar U Smile, último hit de sucesso que é a cara do Jackson 5. 

Justin Bieber e seu mentor Usher

E Usher cantou e dançou sem playback seu hit de sucesso OMG. Ao final da música, Justin apareceu para cantar junto. No pouco que dançaram em conjunto, percebe-se que Justin Bieber é o prodígio de Usher.

  

Tributo

A abertura oficial da festa trouxe Christina Aguilera, Jennifer Hudson, Martina McBride, Yolanda Adams e Florence Welch em um tributo emblemático à Aretha Franklin, cantando um medley dos maiores sucessos da cantora – Respect e (You Make Me Feel Like) A Natural Woman fizeram parte do repertório. Após a poderosa união de vozes, foi exibido um vídeo previamente gravado com Aretha, que recupera-se de uma cirurgia, agradecendo por tudo.

O quinteto feminino prestou homenagem à Aretha Franklin

  

Álbum pop / Performance pop

Ela venceu Sara Bareilles, Beyoncé, Katy Perry, Norah Jones, Arcade Fire, Eminem e Lady Antebellum. A “monstra” Lady Gaga levou os gramofones de Álbum pop (The Fame Monster) e Performance pop – premiações totalmente previsíveis que só mostram o poder comercial, estético e impressionante de Lady Gaga.

Lady Gaga entrou em um casulo, no tapete vermelho, em alusão ao seu novo single Born this way (Nascida desse jeito)

No tapete vermelho, Lady Gaga trocou seu recente vestido de carne por um casulo – com direito a respirar fora da casca apenas algumas vezes. Tudo isso para realizar a performance de Born this way, seu novo grande hit, que já está na cabeça – e na língua – de todos. Todos em bege, ela e seus bailarinos foram ficando apenas com as roupas intímas durante a apresentação. Ao final, agradeceu Whitney Houston pela inspiração para escrever a música.

Lady Gaga e seus “monstros” lançaram Born this way

  

Álbum rock – o melhor

Vencendo Neil Young, Tom Petty And The Heartbreakers, Jeff Beack e até mesmo Pearl Jam, o Muse mostrou que veio para ficar. O trio, que lota estádios na Inglaterra, levou o gramofone de Melhor álbum rock pelo bem talentoso disco The Resistance

Os britânicos do Muse

O grupo fez uma apresentação impecável de Uprising em um cenário digital muito bem formatado. A performance ao vivo da banda é do tipo “não tem o que colocar, não tem o que tirar”. O Muse, que nasceu no alternativo, no indie / brit rock, vem agora para ficar no mainstream, preservando sua identidade.

 

Mais apresentações

Numa apresentação correta, mas emocionante, a country Miranda Lambert apresentou-se. B.o.B., Bruno Mars e Janelle Monáe fizeram uma performance à lá jazz e baladinha de Nothin’ or you – que não teve tanta graciosidade. Após o trio, apenas Janelle permaneceu e mostrou o seu poder de apresentação – também veio para ficar e merece reconhecimento.

Depois de cantar com B.o.B. e Bruno Mars, Janelle foi aplaudida por todos – com direito a stage dive 

Bob Dylan, com a voz falha, mas sem deixar de ser tocante, se juntou ao Mumford & Sons e Avett Brothers para cantar o clássico Maggie’s Farm. Após uma excelente apresentação de Lady Antebellum, subiram ao palco em uma divertida performance os Muppets genéricos, Cee Lo e Gwyneth Paltrow para cantar uma versão de Fuck you, adaptada em Forget You. Cee Lo, parecendo um pavão repleto de plumas, ao piano, se misturou aos bonecos e fizeram a apresentação mais criativa e colorida da noite do Grammy.

Katy Perry cantou Not like the movies, seu novo hit. Depois, desceu até à plateia para cantar Teenage dream em homenagem ao Valentine’s Day (Dia dos Namorados, oficial nos Estados Unidos e em alguns países da Europa no 14/2). Dessa vez, Katy não desafinou. Talvez não o fez porque não cantou Firework.

Perry cantou em homenagem ao Dia dos Namorados (Valentines’s Day)

Em uma cantoria muito bem arranjada e simultânea, o trio Keith Urban, John Mayer e Norah Jones cantaram Jolene. Destaque para a voz e o talento de John Mayer.

O trio cantou Jolene

Barbra Streisand, só para constar, foi aplaudida em pé pela plateia em sua apresentação

A lenda do soul Solomon Burke foi homenageada no momento “póstumo”. Numa das melhores apresentações da noite, ao lado de Raphael Saadiq, o Rolling Stone Mick Jagger subiu ao palco, pela primeira vez em um Grammy, e animou os quatro cantos da plateia com seus requebrados e sua voz marcante.

Mick Jagger foi um dos destaques do Grammy 2011

 

Melhor álbum do ano

Durante boa parte do último semestre de 2010, a crítica musical elogiou plenamente o Arcade Fire. A banda alternativa veio para ficar no mainstream e levou o maior e melhor prêmio – Melhor álbum do ano – pelo álbum The Suburbs. Ao final, o bando fechou o Grammy com chave de ouro.

Arcade Fire recebendo o maior prêmio da noite, o de álbum do ano

Arcade Fire foi reconhecido como Melhor Álbum do ano

 

Balanço Geral

Nas apresentações que animaram o público, destaque para o Muse, Mick Jagger, Barbra Streisand e os parceiros Eminem e Rihanna – ela que vem vivendo um intenso momento musical.

De um tempo para cá, o Grammy está aderindo os artistas oriundos da garagem, do indie rock, da música alternativa em si. Felizmente, esses artistas, mesmo decolando aos topos das paradas, têm preservado suas identidades musicais, o que é elogiável. Do mainstream ao alternativo, não falta música e opções para (quase) ninguém.

@misaelmainetti

Facebook: Misael Mainetti / misaeljornalista@gmail.com




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