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06
jun
11

O segredo de X Men First Class é a união da fantasia e da realidade

Produzir e dirigir um longa metragem sobre mutantes não é fácil, afinal, o tema não atrai todas as pessoas. Mas X Men Primeira Classe (X Men First Class, Estados Unidos, 2011) foi especificamente produzido e dirigido para agradar os amantes e os não amantes dos mutantes.

Os dois primeiros filmes X Men, dirigidos por Bryan Singer (Valkyrie, Superman returns) – com destaque principalmente para o segundo filme -, deram início ao gênesis dos bons (e maus) filmes baseados em quadrinhos. O segredo em todos os filmes X Men está em tratar o gênero não apenas como mera fantasia, mas inseri-lo no contexto dramático e trazer isso tanto para a realidade da história dos mutantes como para a realidade do espectador. Felizmente, a história em quadrinhos dos X Men se passa profundamente em cenários reais e fatos históricos.

Matthew Vaughn (Kick-Ass, Stardust) dirigiu o terceiro longa metragem da franquia se atendo aos dois primeiros filmes e o resultado foi positivo. Então, surge o filme X Men origins – Wolverine com a direção de Gavin Hood (Rendition, Tsotsi) que não produziu um filme nos conformes da trilogia e acabou desagradando aos fãs pelo tratamento concedido ao filme.

Do apocalipse ao gênesis, a franquia parecia estar enterrada e Matthew Vaughn volta com a direção de X Men First Class para narrar, de forma dramática, a história (fictícia; é importante lembrar) do americano Charles Xavier (Professor X) e do polonês Erik Lehnsherr (Magneto). Nessa trama, que retorna às origens, o espectador tem a oportunidade de visualizar como Charles e Erik se conheceram na juventude e o que aconteceu para que ambos divergissem tanto em ideias.

Utilizando uma cena ímpar do primeiro X Men, o Primeira Classe mostra a aniquilação dos pais de Erik por parte dos nazistas e as primeiras descobertas de seus poderes. O amor se torna ódio e em uma excelente interpretação, talvez perfeita, o ator Michael Fassbender (Inglourious basterds, Centurion) mostra a que veio. Para ele, a carreira é promissora e isso não será fato. É fato. Em outra excelente interpretação, o ator James McAvoy (The last station, Wanted) como Charles Xavier, telepata, rico e “boa pessoa”, atrai Erik/Magneto para impedir os planos do nazista, mutante e vilão Sebastian Shaw, interpretado por Kevin Bacon (Me one and only, Frost/Nixon), que é capaz de absorver energia nuclear e revidá-la com a mesma intensidade. Destaque também para a interpretação de Bacon – talvez a melhor interpretação em anos.

O filme ainda mostra o acolhimento de Raven/Mística por parte de Xavier. Direção de arte fiel ao que os quadrinhos apresentam sobre Mística, a atuação de Jennifer Lawrence (The beaver, Winter’s bone) – que é lembrada pela sua última atuação em “O inverno da alma” – criou uma Mística em fase de adaptação e aceitação. A mutante não aceita sua aparência. Junto dela, em uma atuação crescente e em ótimo desenvolvimento, o “novato” Nicholas Houl (Mad max, Class of the titans, Skins), mais famoso na pele do jovem Tony na polêmica série britânica Skins, faz o papel do jovem cientista Hank McCoy/Fera, outro que está com dificuldades para aceitar sua aparência, no caso os gigantes e peludos pés de animal.

É impossível não citar as atuações em Primeira Classe.  O diretor Matthew absolutamente soube trabalhar com o elenco, com a fotografia e com a direção de arte. A fotografia do filme se une a dramaticidade da história e vários closes – tanto nos olhos das personagens quanto nas batalhas – são realizados para avivar os momentos tensos. A dinâmica e o ritmo do filme casam e resultam no sucesso.

X Men First Class se passa durante a Guerra Fria entre EUA e Rússia e não peca na direção de arte de época e nos poderes dos mutantes – desafio esse lançado quando um diretor faz um filme fantasioso. A vivacidade das cenas envolvendo Magneto é tão intensa que chega a impressionar os cinéfilos de plantão. Se mutações desse tipo existissem no mundo real (?), com certeza nos perguntaríamos se o filme é baseado em fatos reais, visto que os criadores dos quadrinhos, Stan Lee e Jack Kirby, criaram a vida inteira de cada personagem.

O segredo de X Men First Class é justamente não ter segredo. Trata-se sobre produzir um bom filme, não apenas sobre os famosos mutantes, mas um bom filme que atraia todos os públicos. O drama se uniu à fantasia de forma harmoniosa e, certamente, conhecer a história da reunião dos mutantes, e como Charles Xavier e Magneto se tornaram tão avessos, prende o espectador do começo ao fim do filme. Desse jeito, todos sairão das salas de cinema acreditando que é possível ler a mente humana e manipular campos magnéticos.

Por Misael Mainetti / misaeljornalista@gmail.com / @misaelmainetti




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