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16
mar
11

Realidade cravada em “127 horas”

Baseado na história real de Aaron Ralston que, desde pequeno, explorava locais inóspitos junto do pai. Em abril de 2003, Aaron vai explorar o Blue John Canyon, no deserto de Utah, nos Estados Unidos. Após conhecer duas garotas que também exploravam o local, o rapaz ficou sozinho e teve o azar de ter o braço esmagado e preso por uma pedra numa parede rochosa – daí o nome do livro autobiográfico “Entre a pedra e um lugar duro”. A partir daí, a história começa: a vontade de viver.

Essa é a história de “127 horas” (127 hours, 2010, EUA). Interpretado na poderosíssima atuação, nesse longa em especial, de James Franco, o filme é um desafio, visto que a história é pequena, sem grandes acontecimentos. A marca registrada do filme é mostrar a realidade da situação.

Noite, dia, urubu, formigas, pouca água, pouca comida, rochas, alucinações e lembranças. Esses são os principais elementos do filme. Dirigido por Danny Boyle, o filme foi indicado como “Melhor filme” na premiação do Oscar 2011. “O discurso do rei” acaba sendo melhor, entre aspas, por uma série de motivos, mas eu divago. “127 horas” é um filme que deve ser assistido nos cinemas; é ideal.

A fotografia é incrível. As paisagens rochosas de Utah são registradas de modo magnífico e o mais interessante são alguns recursos utilizados. Por exemplo, para não cansarmos do “mesmo pano de fundo”, durante o filme, são utilizadas telas múltiplas. Além disso, cenas como a água subindo por dentro do canudo, a faca perfurando o braço; tudo registrado nos mínimos detalhes. Na situação de Aaron, assistir essas cenas transmite a sensação proposta de realidade. Realmente é impressionante como o diretor conseguiu conduzir uma trama de apenas uma “célula dramática” de modo tão intenso.

(Antes, atenção: não tem como não contar o final. Então, caso não queira saber, assista logo o filme e venha ler a resenha para discutirmos juntos).

A mais chocante das cenas, com certeza, é o momento em que, depois de beber várias vezes da própria urina para se hidratar, Aaron decide amputar o braço. A sangue frio. Só Truman Capote descreveria, em palavras, a cena do filme. Imagine então a cena real, vivida pelo verdadeiro Aaron.

A intenção de “127 horas” foi transmitir a sensação de realidade, da autoavaliação das nossas relações humanas e da nossa integridade física e psicológica e, principalmente, sempre avisar o local na qual estamos indo antes de sair.

Misael Mainetti

16
mar
11

A trama de “O turista” é boa, mas peca na falta de ritmo

Reúna um ator e uma atriz de Hollywood, ambos com muito prestígio e atuações exímias. À primeira vista, o resultado esperado é a perfeição. Mas não foi isso o que aconteceu em “O turista” (The tourist, Estados Unidos, 2010). Não basta reunir dois excelentes atores e jogar no meio de uma ação. Nem que a trama ocorra na belíssima Veneza.

“O turista” é um remake do filme francês Anthony Zimmer – A caçada (Anthony Zimmer, França, 2005) do diretor Jerome Salle. Confesso que não assisti esse primeiro, mas os comentários são que o filme é fraco, final inesperado para a maioria, mas nada de notável ou grandioso. Se assim for, “O turista” conseguiu criar a mesma sensação e foi fiel ao remake.

Sinopse de “O turista”: Elise Clifton-Ward (Angeline Jolie) é vigiada pela equipe do inspetor John Acheson (Paul Bettany). O motivo é que ela viveu por um ano com Alexander Pearce, procurado pela polícia devido à sonegação de impostos em torno de 700 milhões de libras. O problema: nem Elise, nem os policiais sabem como é a face de Alexander, visto que ele se fez várias cirurgias plásticas para mudar o rosto e fugir. Ele entra em contato com Elise e pede que encontre alguém com tipo físico parecido com o seu para enganar a polícia. Ela se aproxima de Frank Tupelo (Johnny Deep), professor de matemática que viaja sozinho no trem. Atraído pela beleza de Elise, aceita a oferta de ir até o hotel dela, tornando-se alvo de Redinald Shaw (Steven Berkoff), poderoso gângster que teve mais de US$ 2,5 bilhões roubados por Pearce. (Sinopse baseada no site adorocinema.com.br).

A direção de “O turista” é de Florian Henckel von Donnersmarckm, já premiado com o Oscar pelo filme “A vida dos outros”. Para constar, antes de o projeto cair na mão do diretor francês, passaram por astros como Tom Cruise, Sam Worthington, Charlize Theron, diretores como Lasse Hallstrom, Alfonso Cuaron e a unanimidade foi desistir por diferenças criativas. Será que o grupo todo não acreditou no potencial do filme?

O turista – Protagonistas coadjuvantes

Ao unir Jolie e Deep, é impossível pensar que o resultado em atuação será ruim. Errado. A atuação deles como casal foi totalmente sem “química”. Uma vez que eram protagonistas, tornaram-se figuras apagadas e coadjuvantes do filme. A história não permitiu o enlace do casal e “enterrou” a atuação de ambos. Se Jolie brilha pouco no filme, a não ser pela beleza e pelas roupas, Johnny Deep é praticamente um fantasma inexpressivo e sem graça passando pelos cantos. Culpa dele ou nossa, ele nunca mais irá se desvincular do personagem Jack Sparrow, de “Piratas do Caribe”. Em uma cena, na qual ele foge pelo telhado, é impossível não imaginar Jack ali – o jeito de correr, de andar, de coçar o bigode e tudo mais. Reforçando: a atuação indigerível do casal se dá pelo roteiro, não por culpa deles – eles atuaram conforme a história pediu.

 

O turista – Fotografia de primeira

É inegável que a fotografia e a direção de arte de “O turista” são excelentes. Os cenários em Paris e principalmente em Veneza são belíssimos. O figurino de Jolie, cerca de 12 vestidos diferentes, realmente foi muito condizente com o “clima” do filme.

 

O turista – Indicado para dar risada?

Ridiculamente indicado para o Globo de Ouro como melhor comédia e melhores atores em comédia, o filme não tem nada de engraçado. Alguns sorrisos aparecem no rosto durante o filme. No máximo, sorrisos. Ano ruim para as comédias, não era necessário pecar tanto na indicação. O filme é indicado para dar risada ou devemos rir da indicação ao Globo de Ouro?

Mais: A trilha sonora, no mínimo, é inadequada. Ou é muito irônica. Para rir também.

 

O turista – o remake correto seria diferente

“Anthony Zimmer – A caçada” já era considerado um filme sonso e ruim. Ao fazer um remake, nesse caso, espera-se uma reação por parte da direção. A trama deve ser filmada novamente caso ela desperte, de modo diferente, a atenção. E isso não aconteceu. O rekame correto seria diferente: química no casal e ação minuto a minuto. A história é muito boa, então, teria sido (quase) um sucesso.

 

O turista – O que faltou?

A história de “O turista” não é excelente, mas é boa. A ausência de “química” do casal protagonista e a falta de ação contínua que um filme de suspense exige, principalmente em clima veneziano, resultaram no longa metragem totalmente sem ritmo. Filme sem ritmo é a mesma coisa que música sem melodia. Ficou devendo. E muito!

01
mar
11

Sobre Adílson Batista, corte no “Minha vida, minha casa” e o omolete da Dilma

Ivete Sangalo é sábia ao cantar “E vai rolar, a festa, vai rolar!”. Adaptemos para: “O povo do Santos mandou avisar!”. Virou festa ser técnico do Santos Futebol Clube. Em menos de dois anos, menos de mil dias, já passaram pelo time seis treinadores (dá-lhe Vagner Mancini, Vanderlei Luxemburgo, Dorival Jr., Serginho Chulapa, Marcelo Martelotte e agora, o último deles, por enquanto, Adílson Batista). Coloquei a “manchete” entre parênteses porque é um tanto “vergonhoso”, certo?

Adílson Batista, ex técnico do Santos, atualmente sem clube

Dentro desse mesmo período, o Timão e o Tricolor (que junto dos “porcos-periquitos” nadou agora há pouco), tiveram três técnicos efetivos. O Palmeiras teve quatro.

Foram 11 partidas (5 vitórias, 5 empates e apenas 1 derrota sofrida) pelo Santos e Adílson levou um “chute na bunda”. Ao menos, nesse sentido, futebol não é igual política. Não rendeu, chute! Na política, não rendeu ao povo, permanece. Mas eu divago e fico por aqui, para não entrar nesse mérito que renderia um (enorme) post.

Pedro Luiz N. Conceição à lá (pose de) Mona Lisa

Pedro Luiz Nunes Conceição, diretor do Santos, ao admitir Adílson, disse que o ex jogador era estudioso e muito dedicado e ressaltou que não toma decisões por causa da torcida, mas sim por estratégia. Caiu em contradição. Disse que, para “preservar” o técnico, devido a má educação da torcida, Adílson estava fora. Ao menos, o técnico vai receber o valor de 1 milhão de reais pelo rompimento de contrato.

Adílson, ao menos, não teve tempo de render problema com o pseudo estrela Neymar. Diz-se que a relação foi muito curta. Pouco tempo dá nisso, não é?

Neymar nem teve tempo para conhecer o Adílson. Fica para a próxima(?)

Aliado a esse tema (direção e cortes), para quebrar o paralelismo mesmo, o programa “Minha casa, minha vida” terá corte de 5,1 bilhões de reais. É como a Jéssica, minha amiga do Jornalismo, sempre ousa dizer: “Que coisa, não?”.

Novamente, não vou estender minhas críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT). Muito menos dar chance de falar bem do Partido Social Democrata do Brasil (PSDB), por favor (!!!). Foi a oportunidade “lógica” da oposição causar e fazer a festa. Dilma não deve ter dormido bem durante à noite e deve ter ficado com as orelhas muito vermelhas. Não faz bem para a saúde. No entanto que ontém, para aliviar o stress, fez um omelete com queijo junto da Ana Maria Braga, no Mais Você, da Rede Globo. O próximo divã da presidenta é no programa novo da Hebe, na Rede Tv, mas eu divago novamente.

Ana Maria Braga e Dilma Rousseff tomam café juntas no Mais Você

********

Sem mesmo analisar tudo “tim tim por tim tim” – falando nisso, quero muito assistir ao filme Tin Tin, dirigido pelo Spielberg; mas eu divago – consigo chegar às seguintes conclusões:

Sobre o futebol do Santos: Minha conclusão é uma pergunta, para mim, retórica: falta de competência do técnico Adílson ou falta de competência do Santos na hora de contratar um técnico?

Sobre o corte no “Minha vida, minha casa”: Continuam os investimentos integrais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) enquanto que, as despesas estão e vão crescendo mais e mais e os investimentos necessários, como o do programa, ficaram para trás. Sejam as medidas do PT “plastificadas” ou não, o programa iria ajudar bastante gente.

Sobre o omelete da Dilma: Política é como fazer omelete. Você mistura tudo (ou todos os partidos) e está pronto. Segundo telegrama obtido através do Wikileaks, Michel Temer classificou o ex presidente Lula como decepcionante. Dilma não deve ter gostado da informação do vice presidente. Mas é assim, uma “mistureba” heterogênea, centralizada em Brasília e no País e descentralizada na Ética.

O omelete da Dilma eu provo quando eu a entrevistar pessoalmente. Mas, vou pedir para a presidenta do Brasil fazer algo mais elaborado. Quem sabe uma torta de maçã!

@misaelmainetti

28
fev
11

Não basta ser “vanguarda” para ser primeiro lugar

Você já deve ter lido, ou ao menos espiado, várias notícias sobre os vencedores do Oscar. Mesmo assim, sinto-me na obrigação de discorrer rapidamente sobre o assunto.

***

Neste último domingo, ocorreu a a 83ª cerimônia de premiação do Oscar, no teatro Kodak, em Los Angeles. A atração foi transmitida para mais de 200 países. Os mestres de cerimônia foram Anne Hathaway e James Franco.

  Hathaway e Franco junto das estatuetas do Oscar

 

And the Oscar goes to…

“A Origem”, meu filme favorito da premiação, ganhou quatro prêmios: fotografia, mixagem de som, edição de som e efeitos visuais. Prêmios técnicos, mas reconhecidos. Torcia que ganhasse para melhor filme, mas não foi dessa vez.

Natalie Portman, como era esperado, subiu “graúda” ao palco para receber o prêmio de melhor atriz. Apesar das mais variadas justificativas da crítica para dizer que ela não merecia, a atriz fez um excelente trabalho em “Cisne Negro”. Alguém tinha dúvida quanto à atuação da sua personagem? Acredito que não.

Favorita ao Oscar de melhor atriz pelo filme "Cisne Negro" chega para a cerimônia do Oscar 2011

Natalie Portman levou a estatueta de melhor atriz por “Cisne Negro”

Colin Firth destacou-se, através da sua “gagueira trabalhada”, como melhor ator por “O Discurso do Rei”.  Tom Hooper, diretor do longa, levou a estatueta de melhor direção.

O documentário longa metragem “Lixo Extraordinário”, oriundo aqui do nosso Brasil verde e amarelo, foi vencido por “Trabalho Interno”. Isso rendeu prantos ao Rio de Janeiro.

Como tinha que acontecer, “Alice no País das Maravilhas” levou o prêmio de melhor direção de arte e melhor figurino. Nesse longa metragem, Tim Burton pecou muito em roteiro, história e ação, mas, como sempre, não deixou a desejar no visual. A melhor maquiagem ficou para “O Lobisomem”.

As categorias de ator e atriz coadjuvante ficaram com o prêmio “O Vencedor”, para os atores Christian Bale e Melissa Leo. Como eu não consegui assistir ao filme ainda, não posso julgar.

Atores e vencedores do Oscar: Christian Bale, Natalie Portman, Melissa Leo e Colin Firth

Christian Bale, Natalie Portman, Melissa Leo e Colin Firth na premiação

“Toy Story”, como era esperado, ganhou o prêmio de melhor animação e também canção original.

O que chocou foi “Bravura Indômita” não levar nenhuma estatueta. Nem tudo é perfeito, mas, ao menos com a produção do filme, quem sabe os longa metragem do faroeste voltam a figurar?

Tchan tchan tchan tchan…

 

Candidato ao Oscar de melhor ator pelo filme "A Rede Social", Jesse Eisenberg chega para a premiação do Oscar

Jesse Eisenberg, protagonista do longa “A Rede Social”

A grande  dúvida era quem levaria melhor filme: “A Rede Social” ou “O Discurso do Rei”?

Cartaz do filme “O Discurso do Rei”

 

A nobreza britânica se alegrou e “O Discurso do Rei” levou o prêmio de melhor filme, longa que não trata de nenhum acontecimento atual. Já “A Rede Social” aborda um tema “vanguarda”. Isso prova para você, para os críticos (principalmente) e para mim que, para ganhar uma estatueta do Oscar, não é necessário tratar de um tema do século XXI.

A 83ª edição do Oscar foi como sempre majestosa e, no geral, sem grandes surpresas. O prêmio máximo de “melhor filme” provou que não basta ser “vanguarda” para ser primeiro lugar.

@misaelmainetti

22
fev
11

Aos 6 anos na “boquinha da garrafa”

Alguns irão me chamar de careta, (falso) moralista ou quadrado. Não me importo. Aceito as críticas. Na verdade, gosto das críticas. Nós crescemos somente se absorvermos tudo o que é bom. E, nas críticas, também há muita coisa boa para ser sugada e devidamente aprendida.

No sábado (19), gravei algumas reportagens para o Jornal do Dia, da Tv União (aliás, você pode me assistir on line pelo www.tvu.com.br/ ). Uma das reportagens tratava sobre o Carnaval 2011 – a escolha do Rei Momo, Rainha e Princesa do Carnaval em São João da Boa Vista. Informei aos telespectadores o que ocorreu no evento e tudo conforme pedem as regras do telejornalismo – são minhas primeiras experiências na área.

Acesse: www.tvu.com.br/

Não sou fã de Carnaval. Nunca fui. Gosto de samba. Carnaval em 1920, 1930 era cultura. Ainda há quem produza cultura nesse sentido. Basta observar os carros alegóricos e toda a arte produzida pelas escolas de samba. Na minha opinião, muito dinheiro gasto em um país na qual muita gente passa dificuldades, mas também faz o sistema de turismo funcionar e crescer.

Compareci ao Centro de Integração Comunitária (CIC) para acompanhar as apresentações. As escolas de samba da cidade, animadas, gritavam, jogavam confetes, assoviavam, apitavam etc. As primeiras a entrar no palco foram as princesas mirins. Meninas de 6 anos vestidas como pede o Carnaval. Ao som da banda Herança Negra, convidada pela Prefeitura, as apresentações começaram. Opa, peraí! Eu não gostei do que eu vi!

Será mesmo saudável meninas de 6, 7, 8 anos aprenderem a dançar daquele jeito? As mini petizes, incentivadas pelos pais e por toda a comunidade, rebolavam, faziam caras e poses sensuais, desciam até o chão e tudo mais.

Em um país na qual a taxa de natalidade, digamos, não é tão controlada assim, pensei bem para escrever esse meu texto. Indaguei-me: será que eu estou virando aquele jovem de 20 e tantos anos chato, quadrado e ético demais?Não, eu não concordo com isso.

Incentivar meninas de 6 anos a dançar até o chão, modelar caras e bocas sensuais, rebolar; exibir, de um modo subliminar, os seios e tudo mais; não é saudável. Do ponto de vista psicológico, as próprias garotas criam uma personalidade sensual. Por que será que meninas de 10 ou 12 anos estão ficando grávidas?

Tudo está precoce. Antes mesmo de nascer, a criança já aprende a mamar? A televisão, por meio das novelas e programação em geral, está incentivando muito a libertinagem. Eu acredito que as crianças possam sim participar do Carnaval, mas de modo saudável, sem tanta exposição; porém é impossível que elas, vendo todas as poses – para cima e para baixo – não aprendam a fazer o mesmo!

A descoberta natural do sexo, da cobra e da perereca, do pinto e da vagina, é diferente da divulgação e aprendizagem precoce que o mundo moderno oferece às crianças

Não quero julgar ninguém. Os pais têm o poder pelos filhos. Eles decidem, teoricamente, o que é melhor para eles. Se uma mãe não vê problemas em ver sua filha aprender a rebolar até o chão, aprender a ser sensual com 6 anos e tudo mais, eu não posso chamar o Juizado de Menores e esperar que eles façam alguma coisa. Depois, só não quero ouvir reclamação de que a filha beijou de língua aos 8 anos, transou com 11 e está grávida aos 12.

Além da origem pagã do Carnaval, eu, mesmo com 21 anos, solteiro e sem filhos, já sei uma coisa: minha filha não vai descer na “boquinha da garrafa” aos 6 anos! Da minha parte, não autorizo!

@misaelmainetti

18
fev
11

Joguinho ruim

Ano passado me deparei com um tema de trabalho inusitado para mim: o telejornalismo esportivo. Era assunto que eu sempre observava, diga-se com muita atenção, nos telejornais, mas não era minha especialidade. Diga-se, de passagem, que ainda não é. Ao menos, me intero do assunto.

Esporte é entretenimento, é lazer, é saúde. Todos esses sinônimos para as práticas esportivas devem ser levados em conta quando produzimos um jornalístico esportivo. Com o new journalism e a convergência de mídia (entenda o domínio 2.o), os jornalísticos esportivos sofreram mudanças.

Antes, era apenas um sorriso na bancada. Tudo plano médio curto, bancada e tudo mais que as regras clássicas pedem. Ou pediam. Mas, o século XXI chegou. E junto dele a internet. Qualquer um produz um “programa” no YouTube. Surgiu, como que exigência, a necessidade de integrar o telespectador ao programa, fazê-lo interagir, participar.

E assim foi. Os apresentadores “levantaram de suas cadeiras”, abandonaram suas bancadas, mudaram as performances e fizeram tudo diferente, conforme pediu o “novo uniforme do jornalismo esportivo”.

Mas, como todo jogo de futebol pede, uma “falta” ocorreu. Algumas emissoras, alguns programas, algumas direções estão brincando demais com o esporte. Deixaram de tratar o esporte como notícia. Virou brincadeira, stand up comedy. “Alô-ô”, tudo tem dosagem!

Esporte deve ser encarado como entretenimento, mas isso não significa que deve ser encarado como brincadeira. E hoje, sexta-feira, acordo, tomo meu banho, como meio pão com requeijão; venho trabalhar e a primeira notícia que eu leio é a contratação de um blogueiro sem educação para integrar o jornalismo esportivo de um programa.

Triste época. Não vou fazer propaganda dele. Minha crítica é a extrema. Minha divulgação é a mínima. Vai derrapar feio. Há a escolha entre o “bom” e o “ruim”. Nesse caso, que joguinho ruim! Da minha parte, deixo a televisão desligada.

@misaelmainetti

14
fev
11

Grammy Awards 2011 – Do mainstream ao alternativo

No último domingo, 13, aconteceu a maior premiação da indústria fonográfica, o Grammy Awards 2011, em sua 53ª edição, realizada no Staples Center, em Los Angeles, na Califórnia.

Os destaques em premiação da noite foram os alterna-indies do Arcade Fire e o trio country Lady Antebellum que, por trabalho árduo e reconhecimento, levaram alguns gramofones da noite.

Lady Antebellum e seus cinco prêmios Grammy

O grupo Lady Antebellum levou cinco prêmios para casa

 

Canção do ano / Gravação do ano / Melhor álbum country

Vencendo o refrão denso de Love the way you lie, parceria “Eminem – Rihanna”, o trio Lady Antebellum levou os três troféus. Tudo graças ao (grande) hit Need you now. Trabalho esforçado, reconhecimento merecido. Também fez parte das apresentações e foram, mais uma vez, merecidamente aplaudidos.

O country music tem retido novamente a atenção dos rádios, consequentemente do público, bem como da crítica que tem reconhecido que esse estilo, que outrora pertenceu ao supremo do mainstream, está voltando com tudo – mesmo que estilizado sobre a influência do pop. Diga-se “não de passagem” que, daqui para frente, teremos muito, mas muitos artistas nessa linha.

Melhor álbum de rap / Melhor performance de rap

O Slim Shady Eminem, que voltou às paradas da música após lançar os álbuns Relapse e o último Recovery, foi devidamente aplaudido. Após retornar ao sucesso com músicas mais “conscientes” – mas ainda ironizando -, perder seu melhor amigo para a morte, divorciar-se novamente da (ex) esposa e se recuperar do uso de drogas; Eminem merece reconhecimento.

Eminem e Rihanna apresentaram o grande hit Love the way you lie

O rapper, que liderava com 10 indicações, levou apenas duas: Melhor álbum de rap e Melhor perfomance de rap. Isso não tirou o seu prestigio. Em um dos momentos mais aclamados e aplaudidos do Grammy, Eminem surgiu com Rihanna e Adam Levine do Maroon5. Juntos, cantaram Love the way you lie – refrão impossível de não cantar. Depois do hit, Eminem se juntou ao seu “descobridor” Dr. Dre e à Skylar Grey e apresentaram juntos a nova música de Dre, I need a doctor. Que Eminem continue triunfando no rap – e que Jay-Z, como sempre muito bem faz, também.

Falando em rap, Drake e Rihanna subiram ao palco para fazer a performance de What’s my name em um cenário repleto de fogo. Rihanna, dessa vez, não desafinou nem em Love the way you lie, que tem tons bem agudos, e muito menos em What’s my name.

Rihanna e Drake apresentaram What’s my name em meio ao fogo

 

Caso tupiniquim

Sergio Mendes e Bebel Gilberto, que concorriam ao melhor álbum de world music (ela por All in One e ele por Bom Tempo) não levaram os gramofones. Béla Fleck com Throw Down Your Heart , Africa Sessions Part 2: Unreleased Tracks ganhou. Como a manchete da matéria enfatizou, fica a dica do alternativo ao mainstream.

Revelação

Vale enfatizar que, dessa vez, a Revelação fez jus ao nome. Justin Bieber triunfou em todas as cerimônias durante o ano nessa categoria, menos na mais importante premiação: o Grammy. O prêmio também não foi para Florence + the Machine, que é uma das grandes revelações de 2010 e deve ser lembrada pelo excelente hit Dog days are over. A baixista de jazz e cantora Esperanza Spalding levou o prêmio, o que surpreendeu a todos.

Esperanza Spalding fez jus ao nome da categoria: Revelação

Justin aproveitou a noite. Um vídeo dele aos 13 anos com Usher, no processo de “descobrimento”, foi apresentado. Logo, ele fez uma “rapidinha acústica” de Baby, seu maior hit. Após o cenário ser invadido por ninjas, ele cantou Never say never, tema do remake de The Karate Kid. Jaden Smith, filho de Will Smith, apropósito “felizão” junto da esposa na plateia, cantou junto de Justin.

Jaden e Justin no Grammy 2011

Canonizado como ídolo teen pop comercial, não deve-se desmerecer o bom rendimento de Justin Bieber. Canta bem ao vivo e dança bem. Engana-se quem diz que Justin será o próximo Timberlake. Naturalmente, o garoto dança igual ao seu mentor Usher – danças “manjadas” e previsíveis, mas que são excelentes. Bieber pecou, talvez, em não cantar U Smile, último hit de sucesso que é a cara do Jackson 5. 

Justin Bieber e seu mentor Usher

E Usher cantou e dançou sem playback seu hit de sucesso OMG. Ao final da música, Justin apareceu para cantar junto. No pouco que dançaram em conjunto, percebe-se que Justin Bieber é o prodígio de Usher.

  

Tributo

A abertura oficial da festa trouxe Christina Aguilera, Jennifer Hudson, Martina McBride, Yolanda Adams e Florence Welch em um tributo emblemático à Aretha Franklin, cantando um medley dos maiores sucessos da cantora – Respect e (You Make Me Feel Like) A Natural Woman fizeram parte do repertório. Após a poderosa união de vozes, foi exibido um vídeo previamente gravado com Aretha, que recupera-se de uma cirurgia, agradecendo por tudo.

O quinteto feminino prestou homenagem à Aretha Franklin

  

Álbum pop / Performance pop

Ela venceu Sara Bareilles, Beyoncé, Katy Perry, Norah Jones, Arcade Fire, Eminem e Lady Antebellum. A “monstra” Lady Gaga levou os gramofones de Álbum pop (The Fame Monster) e Performance pop – premiações totalmente previsíveis que só mostram o poder comercial, estético e impressionante de Lady Gaga.

Lady Gaga entrou em um casulo, no tapete vermelho, em alusão ao seu novo single Born this way (Nascida desse jeito)

No tapete vermelho, Lady Gaga trocou seu recente vestido de carne por um casulo – com direito a respirar fora da casca apenas algumas vezes. Tudo isso para realizar a performance de Born this way, seu novo grande hit, que já está na cabeça – e na língua – de todos. Todos em bege, ela e seus bailarinos foram ficando apenas com as roupas intímas durante a apresentação. Ao final, agradeceu Whitney Houston pela inspiração para escrever a música.

Lady Gaga e seus “monstros” lançaram Born this way

  

Álbum rock – o melhor

Vencendo Neil Young, Tom Petty And The Heartbreakers, Jeff Beack e até mesmo Pearl Jam, o Muse mostrou que veio para ficar. O trio, que lota estádios na Inglaterra, levou o gramofone de Melhor álbum rock pelo bem talentoso disco The Resistance

Os britânicos do Muse

O grupo fez uma apresentação impecável de Uprising em um cenário digital muito bem formatado. A performance ao vivo da banda é do tipo “não tem o que colocar, não tem o que tirar”. O Muse, que nasceu no alternativo, no indie / brit rock, vem agora para ficar no mainstream, preservando sua identidade.

 

Mais apresentações

Numa apresentação correta, mas emocionante, a country Miranda Lambert apresentou-se. B.o.B., Bruno Mars e Janelle Monáe fizeram uma performance à lá jazz e baladinha de Nothin’ or you – que não teve tanta graciosidade. Após o trio, apenas Janelle permaneceu e mostrou o seu poder de apresentação – também veio para ficar e merece reconhecimento.

Depois de cantar com B.o.B. e Bruno Mars, Janelle foi aplaudida por todos – com direito a stage dive 

Bob Dylan, com a voz falha, mas sem deixar de ser tocante, se juntou ao Mumford & Sons e Avett Brothers para cantar o clássico Maggie’s Farm. Após uma excelente apresentação de Lady Antebellum, subiram ao palco em uma divertida performance os Muppets genéricos, Cee Lo e Gwyneth Paltrow para cantar uma versão de Fuck you, adaptada em Forget You. Cee Lo, parecendo um pavão repleto de plumas, ao piano, se misturou aos bonecos e fizeram a apresentação mais criativa e colorida da noite do Grammy.

Katy Perry cantou Not like the movies, seu novo hit. Depois, desceu até à plateia para cantar Teenage dream em homenagem ao Valentine’s Day (Dia dos Namorados, oficial nos Estados Unidos e em alguns países da Europa no 14/2). Dessa vez, Katy não desafinou. Talvez não o fez porque não cantou Firework.

Perry cantou em homenagem ao Dia dos Namorados (Valentines’s Day)

Em uma cantoria muito bem arranjada e simultânea, o trio Keith Urban, John Mayer e Norah Jones cantaram Jolene. Destaque para a voz e o talento de John Mayer.

O trio cantou Jolene

Barbra Streisand, só para constar, foi aplaudida em pé pela plateia em sua apresentação

A lenda do soul Solomon Burke foi homenageada no momento “póstumo”. Numa das melhores apresentações da noite, ao lado de Raphael Saadiq, o Rolling Stone Mick Jagger subiu ao palco, pela primeira vez em um Grammy, e animou os quatro cantos da plateia com seus requebrados e sua voz marcante.

Mick Jagger foi um dos destaques do Grammy 2011

 

Melhor álbum do ano

Durante boa parte do último semestre de 2010, a crítica musical elogiou plenamente o Arcade Fire. A banda alternativa veio para ficar no mainstream e levou o maior e melhor prêmio – Melhor álbum do ano – pelo álbum The Suburbs. Ao final, o bando fechou o Grammy com chave de ouro.

Arcade Fire recebendo o maior prêmio da noite, o de álbum do ano

Arcade Fire foi reconhecido como Melhor Álbum do ano

 

Balanço Geral

Nas apresentações que animaram o público, destaque para o Muse, Mick Jagger, Barbra Streisand e os parceiros Eminem e Rihanna – ela que vem vivendo um intenso momento musical.

De um tempo para cá, o Grammy está aderindo os artistas oriundos da garagem, do indie rock, da música alternativa em si. Felizmente, esses artistas, mesmo decolando aos topos das paradas, têm preservado suas identidades musicais, o que é elogiável. Do mainstream ao alternativo, não falta música e opções para (quase) ninguém.

@misaelmainetti

Facebook: Misael Mainetti / misaeljornalista@gmail.com




Vanguarda

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