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Grammy Awards 2011 – Do mainstream ao alternativo

No último domingo, 13, aconteceu a maior premiação da indústria fonográfica, o Grammy Awards 2011, em sua 53ª edição, realizada no Staples Center, em Los Angeles, na Califórnia.

Os destaques em premiação da noite foram os alterna-indies do Arcade Fire e o trio country Lady Antebellum que, por trabalho árduo e reconhecimento, levaram alguns gramofones da noite.

Lady Antebellum e seus cinco prêmios Grammy

O grupo Lady Antebellum levou cinco prêmios para casa

 

Canção do ano / Gravação do ano / Melhor álbum country

Vencendo o refrão denso de Love the way you lie, parceria “Eminem – Rihanna”, o trio Lady Antebellum levou os três troféus. Tudo graças ao (grande) hit Need you now. Trabalho esforçado, reconhecimento merecido. Também fez parte das apresentações e foram, mais uma vez, merecidamente aplaudidos.

O country music tem retido novamente a atenção dos rádios, consequentemente do público, bem como da crítica que tem reconhecido que esse estilo, que outrora pertenceu ao supremo do mainstream, está voltando com tudo – mesmo que estilizado sobre a influência do pop. Diga-se “não de passagem” que, daqui para frente, teremos muito, mas muitos artistas nessa linha.

Melhor álbum de rap / Melhor performance de rap

O Slim Shady Eminem, que voltou às paradas da música após lançar os álbuns Relapse e o último Recovery, foi devidamente aplaudido. Após retornar ao sucesso com músicas mais “conscientes” – mas ainda ironizando -, perder seu melhor amigo para a morte, divorciar-se novamente da (ex) esposa e se recuperar do uso de drogas; Eminem merece reconhecimento.

Eminem e Rihanna apresentaram o grande hit Love the way you lie

O rapper, que liderava com 10 indicações, levou apenas duas: Melhor álbum de rap e Melhor perfomance de rap. Isso não tirou o seu prestigio. Em um dos momentos mais aclamados e aplaudidos do Grammy, Eminem surgiu com Rihanna e Adam Levine do Maroon5. Juntos, cantaram Love the way you lie – refrão impossível de não cantar. Depois do hit, Eminem se juntou ao seu “descobridor” Dr. Dre e à Skylar Grey e apresentaram juntos a nova música de Dre, I need a doctor. Que Eminem continue triunfando no rap – e que Jay-Z, como sempre muito bem faz, também.

Falando em rap, Drake e Rihanna subiram ao palco para fazer a performance de What’s my name em um cenário repleto de fogo. Rihanna, dessa vez, não desafinou nem em Love the way you lie, que tem tons bem agudos, e muito menos em What’s my name.

Rihanna e Drake apresentaram What’s my name em meio ao fogo

 

Caso tupiniquim

Sergio Mendes e Bebel Gilberto, que concorriam ao melhor álbum de world music (ela por All in One e ele por Bom Tempo) não levaram os gramofones. Béla Fleck com Throw Down Your Heart , Africa Sessions Part 2: Unreleased Tracks ganhou. Como a manchete da matéria enfatizou, fica a dica do alternativo ao mainstream.

Revelação

Vale enfatizar que, dessa vez, a Revelação fez jus ao nome. Justin Bieber triunfou em todas as cerimônias durante o ano nessa categoria, menos na mais importante premiação: o Grammy. O prêmio também não foi para Florence + the Machine, que é uma das grandes revelações de 2010 e deve ser lembrada pelo excelente hit Dog days are over. A baixista de jazz e cantora Esperanza Spalding levou o prêmio, o que surpreendeu a todos.

Esperanza Spalding fez jus ao nome da categoria: Revelação

Justin aproveitou a noite. Um vídeo dele aos 13 anos com Usher, no processo de “descobrimento”, foi apresentado. Logo, ele fez uma “rapidinha acústica” de Baby, seu maior hit. Após o cenário ser invadido por ninjas, ele cantou Never say never, tema do remake de The Karate Kid. Jaden Smith, filho de Will Smith, apropósito “felizão” junto da esposa na plateia, cantou junto de Justin.

Jaden e Justin no Grammy 2011

Canonizado como ídolo teen pop comercial, não deve-se desmerecer o bom rendimento de Justin Bieber. Canta bem ao vivo e dança bem. Engana-se quem diz que Justin será o próximo Timberlake. Naturalmente, o garoto dança igual ao seu mentor Usher – danças “manjadas” e previsíveis, mas que são excelentes. Bieber pecou, talvez, em não cantar U Smile, último hit de sucesso que é a cara do Jackson 5. 

Justin Bieber e seu mentor Usher

E Usher cantou e dançou sem playback seu hit de sucesso OMG. Ao final da música, Justin apareceu para cantar junto. No pouco que dançaram em conjunto, percebe-se que Justin Bieber é o prodígio de Usher.

  

Tributo

A abertura oficial da festa trouxe Christina Aguilera, Jennifer Hudson, Martina McBride, Yolanda Adams e Florence Welch em um tributo emblemático à Aretha Franklin, cantando um medley dos maiores sucessos da cantora – Respect e (You Make Me Feel Like) A Natural Woman fizeram parte do repertório. Após a poderosa união de vozes, foi exibido um vídeo previamente gravado com Aretha, que recupera-se de uma cirurgia, agradecendo por tudo.

O quinteto feminino prestou homenagem à Aretha Franklin

  

Álbum pop / Performance pop

Ela venceu Sara Bareilles, Beyoncé, Katy Perry, Norah Jones, Arcade Fire, Eminem e Lady Antebellum. A “monstra” Lady Gaga levou os gramofones de Álbum pop (The Fame Monster) e Performance pop – premiações totalmente previsíveis que só mostram o poder comercial, estético e impressionante de Lady Gaga.

Lady Gaga entrou em um casulo, no tapete vermelho, em alusão ao seu novo single Born this way (Nascida desse jeito)

No tapete vermelho, Lady Gaga trocou seu recente vestido de carne por um casulo – com direito a respirar fora da casca apenas algumas vezes. Tudo isso para realizar a performance de Born this way, seu novo grande hit, que já está na cabeça – e na língua – de todos. Todos em bege, ela e seus bailarinos foram ficando apenas com as roupas intímas durante a apresentação. Ao final, agradeceu Whitney Houston pela inspiração para escrever a música.

Lady Gaga e seus “monstros” lançaram Born this way

  

Álbum rock – o melhor

Vencendo Neil Young, Tom Petty And The Heartbreakers, Jeff Beack e até mesmo Pearl Jam, o Muse mostrou que veio para ficar. O trio, que lota estádios na Inglaterra, levou o gramofone de Melhor álbum rock pelo bem talentoso disco The Resistance

Os britânicos do Muse

O grupo fez uma apresentação impecável de Uprising em um cenário digital muito bem formatado. A performance ao vivo da banda é do tipo “não tem o que colocar, não tem o que tirar”. O Muse, que nasceu no alternativo, no indie / brit rock, vem agora para ficar no mainstream, preservando sua identidade.

 

Mais apresentações

Numa apresentação correta, mas emocionante, a country Miranda Lambert apresentou-se. B.o.B., Bruno Mars e Janelle Monáe fizeram uma performance à lá jazz e baladinha de Nothin’ or you – que não teve tanta graciosidade. Após o trio, apenas Janelle permaneceu e mostrou o seu poder de apresentação – também veio para ficar e merece reconhecimento.

Depois de cantar com B.o.B. e Bruno Mars, Janelle foi aplaudida por todos – com direito a stage dive 

Bob Dylan, com a voz falha, mas sem deixar de ser tocante, se juntou ao Mumford & Sons e Avett Brothers para cantar o clássico Maggie’s Farm. Após uma excelente apresentação de Lady Antebellum, subiram ao palco em uma divertida performance os Muppets genéricos, Cee Lo e Gwyneth Paltrow para cantar uma versão de Fuck you, adaptada em Forget You. Cee Lo, parecendo um pavão repleto de plumas, ao piano, se misturou aos bonecos e fizeram a apresentação mais criativa e colorida da noite do Grammy.

Katy Perry cantou Not like the movies, seu novo hit. Depois, desceu até à plateia para cantar Teenage dream em homenagem ao Valentine’s Day (Dia dos Namorados, oficial nos Estados Unidos e em alguns países da Europa no 14/2). Dessa vez, Katy não desafinou. Talvez não o fez porque não cantou Firework.

Perry cantou em homenagem ao Dia dos Namorados (Valentines’s Day)

Em uma cantoria muito bem arranjada e simultânea, o trio Keith Urban, John Mayer e Norah Jones cantaram Jolene. Destaque para a voz e o talento de John Mayer.

O trio cantou Jolene

Barbra Streisand, só para constar, foi aplaudida em pé pela plateia em sua apresentação

A lenda do soul Solomon Burke foi homenageada no momento “póstumo”. Numa das melhores apresentações da noite, ao lado de Raphael Saadiq, o Rolling Stone Mick Jagger subiu ao palco, pela primeira vez em um Grammy, e animou os quatro cantos da plateia com seus requebrados e sua voz marcante.

Mick Jagger foi um dos destaques do Grammy 2011

 

Melhor álbum do ano

Durante boa parte do último semestre de 2010, a crítica musical elogiou plenamente o Arcade Fire. A banda alternativa veio para ficar no mainstream e levou o maior e melhor prêmio – Melhor álbum do ano – pelo álbum The Suburbs. Ao final, o bando fechou o Grammy com chave de ouro.

Arcade Fire recebendo o maior prêmio da noite, o de álbum do ano

Arcade Fire foi reconhecido como Melhor Álbum do ano

 

Balanço Geral

Nas apresentações que animaram o público, destaque para o Muse, Mick Jagger, Barbra Streisand e os parceiros Eminem e Rihanna – ela que vem vivendo um intenso momento musical.

De um tempo para cá, o Grammy está aderindo os artistas oriundos da garagem, do indie rock, da música alternativa em si. Felizmente, esses artistas, mesmo decolando aos topos das paradas, têm preservado suas identidades musicais, o que é elogiável. Do mainstream ao alternativo, não falta música e opções para (quase) ninguém.

@misaelmainetti

Facebook: Misael Mainetti / misaeljornalista@gmail.com

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3 Responses to “Grammy Awards 2011 – Do mainstream ao alternativo”


  1. 14 de fevereiro de 2011 às 6:30 pm

    Fala Mr. Grammy.
    Cara ficou muito boa a matéria.
    Sério, agora não me arrependi tanto de não ter assistido, pois você me informou de tudo agora.
    adsfhfuasdhfas
    Pagaria para ver um show de Lady Gaga, sei geyzisse, mas ela é muito foda.
    Acho ela uma grande cantora/”atriz”.
    E feliz por que “Seu Muse” venceu.
    Eles são fera também.
    No mais, faltou GD. =//
    fasdhusaf
    abrazz

  2. 2 Véio
    16 de fevereiro de 2011 às 1:48 am

    Caramba…lendo todas essas informações parece até que eu assisti todo o grammy!
    Vi um trecho da chegada da lady e ela realmente imprressionou com o lance do casulo.Ela merece mesmo destaque!
    Agora, MUSE, ahhhhh o MUSE…banda tão reconhecida e adorada por um grande amigo meu.rs
    Eu sinceramente só não gosto muito de tudo que envolve o rolling stones, puro preconceito eu acho. Mas não deixo de reconhecer a estrada dos caras.
    Para mim a grande revelação pelo o menos no que se diz respeito ao publico brasileiro, foi a banda Arcade Fire levando o premio de melhor album.

    Mas no geral acho que aconteceu o esperado mesmo.

    Parabensss pela matéria Misa!.. sempre tudo muito claro para o leitor!!!
    Abraço!!!

  3. 16 de fevereiro de 2011 às 4:21 am

    Enfim consegui ler seu texto!
    Não assisti ao Grammy, mas com certeza seu texto me deixou muito bem informada e com muita vontade de ter assistido!

    Além do texto ter ficado muito bom, você escolheu imagens muito boas para ilustrá – lo.

    PS: Gostei muito do Eminem ter ganhado premios, porque sempre gostei do trabalho dele / Odeio sua implicância com a Katty Perry (haha) / Lady gaga e sua performace que nunca passa despercebida / tenho que confessar que vi um pedacinho do Justin cantando e sim paguei língua: o garoto é bom, mas o lance é o produto da mídia entende? / Parabéns para o Muse.

    E ainda acho que o Green Day deveria estar na lista!

    Beijos


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