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A psique é a semelhança entre “A Origem” e “Cisne Negro”

Fuçar na mente humana é uma ação involuntária do próprio ser humano. Pensar, repensar, desejar, ostentar, restringir, amar etc. – todos são sentimentos ligados à massa cinzenta e curiosa que recebemos no interior de nossas cabeças.

O bem e o mal, eternos (efêmeros) concorrentes que disputam pelo domínio. Por falar em “domínio”, os dois filmes que concorrem ao Oscar 2011, “A Origem” (Inception, Estados Unidos, 2010) e “Cisne Negro” (Black Swan, Estados Unidos, 2010) são semelhantes em tratar do bem e do mal da psique.

Destrinchando etimologicamente, a palavra grega psychein significava “alento” (respiração) e posteriormente “sopro”. Sendo o “alento” uma das características da vida, a expressão psique era utilizada como sinônimo de vida – e de alma (ou seja, a alma significando vida). A psique seria a “alma das sombras” por oposição à “alma do corpo”.

 

A Origem

Com a direção e o roteiro Christopher Nolan (The Dark Knight / Cavaleiro das Trevas, Memento / Amnésia), “A Origem” é um longa que nos guia passo a passo para compreender o que se passa – mas sem desfecho exato.

Cobb, interpretado por Leonardo DiCaprio (Shutter Island / A Ilha do Medo, Body of Lies / Rede de Mentiras) é um gatuno / espião de informações, capaz de entrar nos sonhos das pessoas e roubá-las. Mas, dessa vez, Cobb não foi contratado para roubar ideias e sim para implantar informações. No decorrer do filme, deverá implantar uma ideia a fim de destruir uma grande empresa. Porém, o fantasma de sua mulher o assombra, visto que Cobb é suspeito de tê-la matado. Dessa forma, se isola de todos e, com a crise em sua carreira, ele precisa enfrentar suas dificuldades.

“A Origem” não é um filme qualquer de ação à lá ‘Missão Impossível’ ou aventura cotidiana. Para compreender o desenrolar e os motivos das situações, é necessário sonhar junto de Nolan e entender cada sonho. Vale citar a direção de arte “arquitetônica” presente no filme, visto que o bando de Cobb é capaz de criar um “mundo” quando penetra no sonho da vítima.

Leonardo DiCaprio deixou de ser o “Jack” da Rose e do Titanic há muito tempo. Com três troféus do Oscar de “melhor ator”, DiCaprio provou que assume muito bem papéis de ação. No filme, a atuação morna de Ellen Page (Juno, X-Men – The Last Stand / X Men – O Confronto Final) se dá com a abobalhada personagem que lhe foi confiada, mas isso não ausenta os comentários de que sua atuação poderia ter sido “n” vezes superior.

 

Cisne Negro

Dirigido pelo novaiorquino Darren Aronofsky (The Wrestler, The Fountain / A Fonte da Vida), que tem notoriedade na carreira pelo filme Réquiem Para Um Sonho (Réquiem For A Dream), Daren produziu um filme de balé que não é nada cor de rosa e sim bem obscuro, na qual as trevas tomam conta dos desejos de uma bailarina.

Natalie Portman (No Strings Attached / Sexo Sem Compromisso, Hesher), indicada para concorrer ao Oscar de Melhor Atriz, vive Nina, uma jovem bailarina que, apesar de ter interpretado papeis principais, quer viver “as grandes” protagonistas de sua vida: o Cisne Branco e o Cisne Negro – da Lagoa dos Cines. Criada por uma mãe que abandonou o balé para cuidar da filha, Nina é uma menina aprisionada no corpo de uma mulher. O diretor da academia, vivido por Vincent Cassel (À Deriva, L’instinct de Mort), ao entregar o papel dos “cisnes” à Nina, diz que ela é incapaz de viver o Cisne Negro. Para isso, ele aconselha que Nina tenha contato com o promíscuo e o mundanismo. Literalmente louca pelo papel, Nina decide experimentar situações novas (sexo, uso de drogas etc.) que não costumava viver para se tornar a “Cisne Negra”.

Destaque para a atuação de Mila Kunis (Date Night / Uma Noite Fora de Série, Eli’s Book / O Livro de Eli), uma espécie de antagonista no longa.

Tema rejeitado por grande parte do público, Cisne Negro é diferente do conceito “sapatilha”. Trata-se de um thriller (entenda filme de suspense) psicológico, repleto de momentos esquizofrênicos, um suspense intrínseco à personagem, que mistura lirismo e trevas. Acompanhado desses sentimentos, a fotografia é obscura e media entre cenários metropolitanos e teatrais.

As semelhanças e o Oscar

Apenas na obsessão, as personagens Cobb e Nina se parecem. Do mais, a única semelhança que existe entre ambos os filmes é o tratamento da psique humana.

Em “A Origem”, o psicodelismo está tanto presente na ação de infiltrar-se nos sonhos quanto no uso das drogas (alucinógenas? – acredito que não) para conduzir à vítima ao sono e, consequentemente, ao sonho.

Nina faz par perfeito com a técnica de psicograma, na qual o paciente dramatiza seus “demônios”. Sofre de psicose e, mesmo em contato com o mundanismo, consegue ser perfeitamente o Cisne Branco – exceto pelo final, quando prova realmente que também consegue ser o Cisne Negro.

Tanto um filme como o outro concorrem ao Oscar – além de várias outras mornas, boas e excelentes produções – e fazem-nos concluir que “A Origem” é a ‘alma do corpo’ em oposição à Cisne Negro que é a ‘alma das sombras’. Finalmente, a psique volta a ser fuçada.

@misaelmainetti / misaeljornalista@gmail.com

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11 Responses to “A psique é a semelhança entre “A Origem” e “Cisne Negro””


  1. 9 de fevereiro de 2011 às 1:46 pm

    Good job, man!!
    Cara ficou animal esse texto.
    Deu vontade de assistir aos filmes.
    Mas gosto de ir no cinema assistir.
    Vou ver se vejo uma previa na net e depois vou ao cine.
    Topa?
    A propósito, eu conheço um cinema que precisa de textos para o jornal.
    Está afim? fadsjfasha
    É noses mano.
    abraz

  2. 9 de fevereiro de 2011 às 2:41 pm

    Fala, Junior!

    Obrigado. Assista aos filmes que vale muito a pena. Sou mais simpatizante do A Origem – torço para que esse ganhe o Oscar, embora eu acredite que isso não irá acontecer.

    =D

    Topo.
    Abs.

  3. 3 Gaby Theodoro
    9 de fevereiro de 2011 às 6:31 pm

    Estou ansiosa para assistir “A Origem”, li a sinopse, vi o trailer e vocÊ agora me deixou com mais vontade ainda de assisti-lo.
    Sou fã de carteirinha assinada de Leonardo Di Capri, não porque ele tem um rostinho hollywoodiano, mas sim pelo trabalho dele, pela sua carreira profissional.
    Ele mergulha com uma intensidade nos personagens, que alguns momentos chego a desconfiar que seja ele mesmo – Leonardo Di Capri, o Jack do Titanic.
    Um filme em que ele atuou e até hoje me dá arrepios ao falar a respeito é “Diamante de Sangue”, muito bom.

    E mais uma vez chego a ser redundante,Misa, adoro seus textos
    Abraços

  4. 5 Fabi
    9 de fevereiro de 2011 às 8:07 pm

    Vi ‘A Origem’e gostei demais. Meu naipe de filme mesmo. Agora quero muito ver ‘Cisne Negro’. Já estava anotado o nome, assim como ‘Discurso do Rei’. Ansiosa prá ver!! Parabéns pelo texto. De Sua eterna fã. Beijihus em vc.

  5. 10 de fevereiro de 2011 às 1:58 pm

    Mais uma vez você conseguiu fazer com que eu tenha muita vontade de assistir um filme (e olha que essa não é a primeira vez). Ontem você me perguntou se o texto tinha ficado confuso. Fique tranquilo! Não vejo nada de confuso! A unica coisa que consigo ver é um texto muito bem escrito e muito bem amarrado.

    “A Origem” é a ‘alma do corpo’ em oposição à Cisne Negro que é a ‘alma das sombras’. Finalmente, a psique volta a ser fuçada. – depois dessa frase não tenha dúvidas de que irei assistir os dois filmes.

    Parabéns mais uma vez!

  6. 22 de fevereiro de 2011 às 1:01 pm

    Cisne Negro é um filme fora do comum …a tempos não via um Thriller tão empolgante, prende sua atenção do começo ao fim .. MTOOOO BOM MESMO

  7. 10 SilvanaTj
    22 de fevereiro de 2011 às 6:55 pm

    Misa,
    Ficou ótimo seu texto sobre “A Origem”
    Vamos assistir.
    Parabéns, continue assim
    você tem muito futuro.

    Abs.

  8. 11 karl
    15 de março de 2011 às 9:19 pm

    e ae Misael…

    Sei que não tem muito a ver… mas, acho que vale o comentário
    estava ouvindo a música “Sonhos, Sonhos São” do album “As Cidades” do Chico Buarque e fiquei de cara. Acho que a Origem é um roteiro adaptado dessa música… achei muito semelhante.

    Ouça a música e faça a comparação!!

    Abraços.


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