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A minha revanche

Ano passado, grato que só, viajei para Andradas (MG) para entrevistar a Fresno. Aconteceu que, não aconteceu. Os conheci, mas não entrevistei. Queria ter entrevistado! Então, disse para mim mesmo que eu os entrevistaria ainda.

Pois é, eu tive a minha revanche!

O post é grande e não é matéria jornalística, mas é “crônica dotada de informações”, então é jornalístico também! (risos)

Pois bem, a Fresno marcou show para o Festival de Inverno de Jaguariúna no dia 1° agosto de 2010. A Fran me convidou, (desanimado) topei e montamos a van com o Ricardo. Uma hora e meia de viagem com boas companhias. Chegamos ao local e eu, que já havia conversado com a assessoria de comunicação do evento, adentrei atrás do palco.A primeira parte desses eventos nem sempre é muito agradável, visto que temos que esperar todos os fãs que conseguem, de algum modo, entrar no local, conhecer a banda. A van da Fresno estacionou e eles sairam sendo abraços e fotografados – cena hollywoodiana!E desce fã. Sobe fã. Desce fã. Sobe fã. Quinze minutos para o show – a Fran comigo, fotografando – e eu fui um pouco mais insistente com os organizadores. Agora era a minha revanche: a vez da imprensa!Subi as escadas de metal podre e a estrutura oxidada balançava muito. Um camarim de compensado foi montado atrás do palco. A produção da Fresno pra lá e pra cá e, finalmente, depois do intervalo 19h30 – 21h15, entrei no camarim.

Assisti a entrevista, confesso que muito desajeitada, de uma moça para a tevê local que expressamente teve a coragem de fazer apenas uma pergunta que era o que eles queriam falar para a secretária da cultura, dona Fulana de Tal. Péssimo e de muito mal gosto. Mas, como eu fiz feio no Oscar Filho, talvez ela tenha feito feio com a Fresno – 1×1 (quem sabe nós também tenhamos nossa revanche!).

Cumprimentei os caras e tudo mais. A gravação foi feita em áudio e gravada pela Fran com minha câmera – em breve coloco ambos no Youtube. Apresento-lhes a decupagem, nua e crua, das minhas (rápidas) perguntas para a Fresno.

DECUPAGEM

Misael – Lucas, o que é a Revanche da Fresno?

Lucas: Além do nome do nosso disco, existe todo um conceito por trás disso. A gente viveu vários momentos bons, vários momentos ruins também, assim como qualquer parte da nossa vida, mas a maioria das músicas se tratam justamente sobre esses momentos que foram ruins, foram difíceis e tal. Todas as músicas acabam como sendo um contragolpe dessas coisas que a gente viveu.

Misael – E a maioria das pessoas, às vezes, confundem a Fresno com essa “onda colorida” que surgiu. O Revanche serve para se diferenciar disso?

Lucas: Quem confunde Fresno, confunde com Nx Zero. Eu acho que confundir a gente com Restart é impossível.

Misael: Concordo.

Lucas: Até quem é bem desinformado já sabe que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa; até quem não sabe nada sobre Fresno. Mas com certeza a gente se diferencia não só pela música, mas também pela nossa idade. A gente tem 10 anos a mais que os caras. É natural que seja diferente. Claro que tocando nas mesmas rádios, nos mesmos festivais, acaba tendo um público em comum muito grande, mas a única semelhança é a  parte do público.

Misael – Beeshop. Você pretende continuar com o projeto e que tipo de influências você teve?

Lucas: Todo tipo de influência que eu tive na minha vida. Praticamente as mesmas da Fresno. Só que no Beeshop, como eu faço sozinho, isso fica bem na cara. É uma coisa que eu não tenho também muito “vai ser uma banda de rock, de não sei o quê”, não! Vai ser uma banda de qualquer coisa, entendeu? Então, eu toco tudo, qualquer estilo no Beeshop.  Prefiro tocar, mas não necessariamente ter uma carreira assim, mas com certeza sempre ter cada vez mais projetos, iniciativas. Não necessariamente no Beeshop, essa única iniciativa. Talvez mais pra frente eu venha com outros projetos.

Com o Tavares.

Misael – E o lançamento do seu cd, Esteban?

Tavares: Cara, agora que a gente está lançando o Revanche, era para ser em outubro, mas acredito que vai dar uma atrasada. Acredito que ou sai em dezembro, ou entre férias no mercado e sai em março. Mas pretendo lançar em dezembro.

Comentário de fã, Misael: Cara, ansioso pelo cd. Estou viciado nas músicas!

***

Depois da entrevista – entenda entrevista, porque fui profissional – pedi para tirar uma foto e pronto: bom show!  O evento era gratuito. Havia um pequeno espaço em frente ao palco separado por uma grade da galera atrás. Com a pulseira que recebemos (Fran e eu), conseguimos ficar há menos de meio metro do palco. Muito perto!A ansiedade do pessoal atrás era tamanha! Gosto de conversar com os fãs antes do show. É possível ver de tudo – chororô a tatuagens, naturalidades a idolatria. Fiquei com pena do pessoal que estava ali desde as 13h. Imagine, o show começou às 21h45. Eles pediam, choravam, imploravam para que eu os colocasse ali, um passo a frente – mas como eu faria isso? O segurança só de olho em mim! Não posso arriscar meu profissionalismo, senão eu me queimo. Ah, e eu com o pé no vômito tirando foto do pessoal.Luzes e fumaça e um a um foi surgindo no palco. A gritaria era intensa. Menos de meio metro do palco e estávamos lá. Confesso que é muito bom ficar ali, bem perto, mas também não é bom porque não se sente a mesma vibe, energia, do que quando se está no meio da galera.

Lucas abre com Redenção. Magricelo, canta de modo ímpar. Os backing vocals e “viagens” do Tavares eram pontos altos do show. Sou ruim para lembrar a ordem do repertório, mas fizeram parte Deixa o tempo, Passado, Quebre as correntes, Contas Vencidas, Uma música, Alguém que te faz sorrir, Revanche, Polo, Onde está? etc. Além disso, um momento cover com We will rock you, do Queen – clássico – e também do quarteto Beatles, com a famosa Let It Be no teclado.

Em um momento de (in)sanidade, o Paraíba (ou Beeshop, ou Lucas) desceu do palco para esse espaço “vip”. Desceu e foi perto de toda a galera na grade. O que aconteceu foi que a força do montante começou a fazer a grade cair. De medo, teve gente que entrou debaixo do palco. A coisa ia ser feia se alguns não fizessem força contrária – foi milagre – senão, acidentes teriam acontecidos. Lucas se desculpou com o segurança, mas disse que tinha que sentir a energia da galera.Fiz sinal para o Tavares pedindo a palheta. Uma vez, duas, três (?). Ele disse já já. De repente, me chamou e jogou a palheta, praticamente na minha mão. Agradeci. É minha segunda palheta estebiana. Acredite, não sou nenhum “fã idólatra” e sem conceitos. Muito pelo contrário, sei curtir, sem exageros! Admiro o Tavares pelo bom compositor e cantor que é. E só! Idem para toda a banda!

Para fechar com chave de ouro, Milonga. O clímax do show. É o momento dúbio – alegria e tristeza. Alegria pela música, tristeza pelo fim do concerto. “Quando você não esperar vai doer […] e vai pedir pra esquecer, mas eu não vou deixar!”. E joga-se as baquetas – o Véio, baterista, pegou uma – e as palhetas.

Para um show de “prefeitura”, que é realizado de modo diferente para esse tipo de evento, a Fresno até que tocou bastante. Faltaram algumas músicas como Europa, Evaporar, O Gelo etc, mas tudo bem executado, performance singular, bom som e simpatia contínua. Parabéns a uma das melhores bandas do Brasil – é uma pena que tem gente que não se dá uma chance para conhecer a Fresno. Quem sabe Revanche sirva para isso: tirar de uma “caixa vazia”, uma ideia pré concebida. Parabéns, Fresno!

C’est la vie! Indica conformismo. Dessa vez, conformismo dos bons.

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4 Responses to “A minha revanche”


  1. 2 de agosto de 2010 às 8:51 pm

    preciso dizer algo? Foi um dos melhores momentos da minha vida 🙂 parabéns Misa e obrigado *-*

  2. 2 Fabi
    3 de agosto de 2010 às 12:40 am

    Meeus..PARABÉNS!!

  3. 3 Gii
    5 de agosto de 2010 às 5:17 pm

    Muito boa a entrevista, Misa! Continue assim, extremamente profissional =)

  4. 4 André
    22 de agosto de 2010 às 9:54 pm

    Muito boa matéria, parceiro. Concordo que pessoas tem um conceito negativo sobre a Fresno, mas esperamos que com Revanche, isso mude.
    Abraços


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